Arquivo de Arqueóloga - Celeste Dummer https://celestedummer.com.br/tag/arqueologa/ Professora e Escritora - Professora de Língua Portuguesa e Literatura da rede pública estadual gaúcha, Especialista em Literaturas – publicou livros de pesquisa histórica e peças de teatro para alunos Sun, 04 May 2014 03:00:03 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://celestedummer.com.br/wp-content/uploads/2024/04/fav-icone.png Arquivo de Arqueóloga - Celeste Dummer https://celestedummer.com.br/tag/arqueologa/ 32 32 Patrimônio Cultural https://celestedummer.com.br/patrimonio-cultural/ Sun, 04 May 2014 03:00:03 +0000 http://celestedummer.com.br/web/?p=443 Patrimônio Cultural parece o tema do momento. Aparece em notícias de jornal, é citado como meta e projeto de governo na administração pública de muitos...

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Patrimônio Cultural parece o tema do momento. Aparece em notícias de jornal, é citado como meta e projeto de governo na administração pública de muitos municípios, de estados e da União. Rende destaque para gestores públicos e dinheiro para a concretização de planos de ação, divulgação, conservação e restauro de bens. O que é, então, patrimônio cultural?

Patrimônio – etnologicamente – significa “herança paterna”, riqueza comum que nós humanos vamos passando de geração a geração e a ela atribuímos valores sentimentais ou econômicos.

A cultura é a ação do homem, seu  “modo de fazer, criar e viver”   que resulta na  produção do saber, arte, folclore e costumes de um povo. Inclui conhecimentos, construções arquitetônicas, artes, moral, leis, hábitos e qualquer outra manifestação de vida de um povo e sua história. Essas manifestações são a identidade de uma sociedade e exprimem sentimentos manifestados pelo bem comum de valor humanístico indiscutível.

A Constituição Federal brasileira estabelece no artigo 216 que “constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referencia a identidade, a ação, a memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem: I. as formas de expressão; II. Os modos de criar, fazer e viver; III. as criações científicas, artísticas e tecnológicas; IV.  as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados as manifestações artístico-culturais; V. os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e cientifico.”

A Constituição ainda destaca que a preservação desses bens materiais e imateriais deve ser feita por meio de atos de proteção: “por meio de inventários, registros, vigilância, tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação”.

As ações de preservação, proteção e fiscalização cabem aos órgãos públicos competentes IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, IPHAE – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado e as Secretarias Municipais de Cultura ou Conselhos Municipais do Patrimônio e, por fim, ao Ministério Público caso os primeiros não zelem pelo bem patrimonial.

No entanto, a maior responsável pelo patrimônio cultural é a sociedade, pois é ela a responsável pela criação do mesmo ao longo de sua história.

Diante desta constatação, todos deveriam preocupar-se com a importância de difundir entre os habitantes do município o cuidado, o zelo, a conservação dos bens matérias ou imateriais que têm uma marca histórica para os munícipes.

Marina Amanda Barth
Historiadora e Arqueóloga
Assistente de Pesquisa Arqueológicas Cepa/Unisc
Mestre em História – Unisinos

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55 anos https://celestedummer.com.br/55-anos-2/ Sun, 04 May 2014 02:55:55 +0000 http://celestedummer.com.br/web/?p=439 O Município este ano festeja 55 anos. Tradicionalmente, a gincana inicia as comemorações.  Uma vasta e merecida programação é elaborada para os vera-cruzenses comemorarem os...

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O Município este ano festeja 55 anos. Tradicionalmente, a gincana inicia as comemorações.  Uma vasta e merecida programação é elaborada para os vera-cruzenses comemorarem os 55 anos de emancipação política e administrativa. 7 de junho é de festa.

Ao compararmos os 55 anos de Vera Cruz com   Santa Cruz do Sul (município mãe) de 1877 e com Rio Pardo (município avó) de 1809 e seus mais de 200 anos de história de criação, o aniversariante   é considerado jovem.

Vera Cruz, no entanto, tem a sua história. Os primeiros ocupantes – antes da era cristã – se fizeram presentes nestes confins vagueando em busca de alimento através da caça, pesca e coleta. Por volta do início da era cristã chegam os guaranis que introduzem as primeiras roças neste “solo rico e fecundo,” possibilitando o alimento para suas aldeias. Os jesuítas passaram por esta “terra abençoada” para catequizar os aborígines. Da história pré-colonial ainda restam vestígios em sítios arqueológicos ocupados por indígenas no passado e preservados como patrimônio arqueológico conforme previsto na legislação brasileira

Em seguida vieram os portugueses e a divisão das sesmarias contempla Dona Josefa Maria Branca Guedes Pinto – ao norte do atual Município (viúva duas vezes) – recebe a Fazenda. Ao sul – divisa com o Município de Rio Pardo –  Pedro Inácio Borges recebe o seu latifúndio, em 1788, da Rainha Maria I, mãe de D. João VI. Com os lusos vieram os escravos.

Já em meados do século XIX foi realizada a demarcação dos lotes coloniais para a vinda dos imigrantes alemães. Para estes, os negros também prestavam serviço, como “escravos de ganho”, pois sua mão de obra era alugada do seu dono de descendência portuguesa. De toda esta miscigenação cultural surge o povo que habita esta região.  Referenciamos o tradicionalismo gaúcho, cultivamos a “Revolução Farroupilha”.     Destacamos a nossa origem germânica   no verso do Hino – “na terra do bravo imigrante” – e através das atividades culturais realizadas tradicionalmente nos encontros de sociedades e cavalheiros, nas danças, culinária, no cultivo das lavouras, entre outras.

A história da formação do Município de Vera Cruz foi alvo de pesquisas e publicada em duas obras. O livro “20 anos de Vera Cruz” apresenta as colônias de Dona Josefa (1854), Linha Andréas (1853) e Ferraz (1859). O maior contingente populacional se encontra na Linha Vila Teresa (1858) que em 1866 tem suas quadras demarcadas e em 1889 o povoado é elevado à categoria de Freguesia, segundo distrito de Santa Cruz do Sul. A emancipação se concretiza   em 1959.

Livro “Vera Cruz: Tempo, terra e gente” (2009) reúne todas as pesquisas posteriores e dá aos vera-cruzenses uma compreensão e visão da” história que se construiu no tempo por gente disposta a desbravar uma terra promissora”

Os vera-cruzenses possuem uma imensa história por pesquisar, desvendar, contar e escrever.  Valorizamos a nossa cultura e história no discurso e ou nas ações do dia-a-dia? Para escrever a historia    o pesquisador apaixonado pelos fatos do passado e comprometido com a tarefa de publicá-los necessita de fontes históricas e documentos para a pesquisa que comprovem as ações da sociedade em preservar a sua cultura seja ela material ou imaterial.

O Município se esmera na elaboração de um roteiro turístico.  O que quer oferecer de concreto da sua história para o turista ver? Somente as belezas naturais, ou também o estilo arquitetônico germânico das residências? O que teremos para mostrar? Os bens tombados a Igreja Imaculada Conceição, o tumulo do primeiro imigrante   a futura casa de cultura (que desejamos esteja em restauro, depois de muito esforço, no próximo aniversário do Município)?   E os vestígios coloniais, deixados pelos lusos, negros e, principalmente, imigrantes germânicos quem deve preservar? O que ainda resta das primeiras casas de Vila Teresa? As fotos no museu e no arquivo histórico? Será que serão registros deixados somente na memória dos avós das futuras gerações?

Ao  comemorar pouco mais de meio século de emancipação e possuindo   milênios de história cultural deveríamos oferecer as belezas naturais para as próximas  gerações  vera-cruzenses,  receber no futuro – pelo túnel verde que se destaca na entrada da cidade –  muitos turistas  que desejarão ouvir e sentir  a história deste povo ao   visitar o museu,  seus casarios,  comprar artesanato, degustar a culinária local se descontrair com as danças e festas típicas que são registros históricos e culturais dos vera-cruzenses.

Parabéns munícipes vera-cruzenses! Tomara que todos possamos olhar com carinho para o passado, preservar a historia no presente e projetá-la para um futuro com prosperidade. Não esqueçamos as “Raízes de um Povo Feliz.”

Marina Amanda Barth

Historiadora e Arqueóloga

Assistente de Pesquisa Arqueológicas Cepa/Unisc
Mestre em História – Unisinos

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