Arquivo de Unisinos - Celeste Dummer https://celestedummer.com.br/tag/unisinos/ Professora e Escritora - Professora de Língua Portuguesa e Literatura da rede pública estadual gaúcha, Especialista em Literaturas – publicou livros de pesquisa histórica e peças de teatro para alunos Sun, 04 May 2014 03:01:37 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://celestedummer.com.br/wp-content/uploads/2024/04/fav-icone.png Arquivo de Unisinos - Celeste Dummer https://celestedummer.com.br/tag/unisinos/ 32 32 Atos de preservação https://celestedummer.com.br/atos-de-preservacao/ Sun, 04 May 2014 03:01:37 +0000 http://celestedummer.com.br/web/?p=445 Entre as várias formas de preservação da nossa história estão a Educação Patrimonial, o Inventário e o Tombamento. Entre os citados, Tombamento é ato de...

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Entre as várias formas de preservação da nossa história estão a Educação Patrimonial, o Inventário e o Tombamento. Entre os citados, Tombamento é ato de preservação mais polêmico, porém é o que nos permite admirar e ter orgulho das Ruínas de São Miguel na região das Missões – tombado pelo IPHAN e reconhecido como Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade pela UNESCO em 1983 – da Vila de Santo Amaro em General Câmara (uma das primeiras vilas açorianas do Rio Grande do Sul de meados do século XVIII com 14 prédios históricos tombados em nível federal). Também lá estão restaurados a Igreja Matriz de 1787, o Fortim e o armazém de víveres construído em 1752 que resguardavam e abasteciam a região.

Outro exemplo é o Município de   Rio Pardo que   também preserva sua história na fabulosa Rua da Ladeira, nos exuberantes sobrados da cidade histórica.

Em Vera Cruz – para citar um exemplo próximo – a Igreja Imaculada Conceição que em sua simplicidade foi construída pelos primeiros imigrantes germânicos e suas famílias em três etapas, demonstrando a persistência de valores e de fé.

Para valorizar a história e as riquezas culturais dos diversos grupos humanos que ocuparam o espaço onde vivemos é que foi criada a lei de preservação e de tombamento que significacolocar sob a proteção do Município, Estado ou União os bens móveis ou imóveis e seus entorno que tenham valor histórico, arqueológico, artístico, arquitetônico e ou cultural.

O ato de tombamento pode ocorrer a pedido da comunidade, do proprietário do bem a ser tombado ou por indicação dos Conselhos do Patrimônio, em nível Municipal COMPHAC (Conselho Municipal do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural), em nível Estadual pelo IPHAE (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado) e em nível Federal pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), dependendo de sua importância e relevância histórica para a comunidade.

De acordo com a Legislação Federal Decreto Lei n 25, de 30.11.1937, artigo 17 “As cousas tombadas não poderão, em nenhum caso, ser destruídas, demolidas ou mutiladas, nem, sem prévia autorização especial do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional serem reparadas, pintadas ou restauradas, sob pena de multa.” Vigora esta lei também para os bens   sob proteção municipal e estadual caso em que os proprietários devem pedir autorização para os devidos Conselhos de Patrimônio que possuem leis de Tombamento próprias.

Desta forma, o tombamento não acarreta a perda da propriedade. O bem tombado continuará no domínio de seu dono, embora com restrições ao exercício do direito de propriedade, visando à preservação de suas características arquitetônicas de valor histórico. Podendo o dono usufruir do bem, alugá-lo ou mesmo vende-lo. Porém os próximos que fizerem uso do mesmo deverão cumprir e usufruir do patrimônio da mesma forma que o antigo proprietário preservando suas características originais e sem alterações de suas estruturas mantendo o bem em perfeitas condições.

Por ser uma lei que restringe as atividades do dono e condiciona responsabilidade de proteção e preservação para o mesmo é que as autarquias públicas IPHAN e IPHAE recomendam cautela no ato de tombar, pois o mesmo pode produzir efeito contrário, caso o proprietário não tenha poder aquisitivo suficiente ou não consiga junto ao órgão público responsável   realizar o restauro. A obra pode ser realizada via captação de recursos através de projetos de restauro enviados ao Ministério da Cultura.

Os restauros são realizados de acordo com as normas e técnicas de preservação estipulados pelas autarquias competentes. São efetuados por especialistas nos mínimos detalhes para preservar e resgatar a história do local desde a escavação arqueológica, a pintura original do prédio e recuperação de peças da arquitetura original   que compõem a obra maior do projeto. As autarquias ainda destacam que durante o levantamento de dados para efetuar   tombamento e na elaboração do projeto e realização do restauro é imprescindível a presença da interdisciplinaridade composta por arquiteto, historiador, antropólogo, arqueólogo – entre outros –  a fim de compor e executar o objetivo de preservação, resgatando não somente a arquitetura e a história do local, mas também a relação e importância do mesmo para a sociedade no passado e no presente.

Somente desta forma teremos bens realmente preservados como os exemplos citados no início e, principalmente, com a presença constante da educação patrimonial a qual consiste em chamar a atenção da comunidade a voltar seus olhos e coração para a preservação de sua história e memória.

Marina Amanda Barth
Historiadora e Arqueóloga
Assistente de Pesquisa Arqueológicas Cepa/Unisc
Mestre em História – Unisinos

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Patrimônio Cultural https://celestedummer.com.br/patrimonio-cultural/ Sun, 04 May 2014 03:00:03 +0000 http://celestedummer.com.br/web/?p=443 Patrimônio Cultural parece o tema do momento. Aparece em notícias de jornal, é citado como meta e projeto de governo na administração pública de muitos...

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Patrimônio Cultural parece o tema do momento. Aparece em notícias de jornal, é citado como meta e projeto de governo na administração pública de muitos municípios, de estados e da União. Rende destaque para gestores públicos e dinheiro para a concretização de planos de ação, divulgação, conservação e restauro de bens. O que é, então, patrimônio cultural?

Patrimônio – etnologicamente – significa “herança paterna”, riqueza comum que nós humanos vamos passando de geração a geração e a ela atribuímos valores sentimentais ou econômicos.

A cultura é a ação do homem, seu  “modo de fazer, criar e viver”   que resulta na  produção do saber, arte, folclore e costumes de um povo. Inclui conhecimentos, construções arquitetônicas, artes, moral, leis, hábitos e qualquer outra manifestação de vida de um povo e sua história. Essas manifestações são a identidade de uma sociedade e exprimem sentimentos manifestados pelo bem comum de valor humanístico indiscutível.

A Constituição Federal brasileira estabelece no artigo 216 que “constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referencia a identidade, a ação, a memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem: I. as formas de expressão; II. Os modos de criar, fazer e viver; III. as criações científicas, artísticas e tecnológicas; IV.  as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados as manifestações artístico-culturais; V. os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e cientifico.”

A Constituição ainda destaca que a preservação desses bens materiais e imateriais deve ser feita por meio de atos de proteção: “por meio de inventários, registros, vigilância, tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação”.

As ações de preservação, proteção e fiscalização cabem aos órgãos públicos competentes IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, IPHAE – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado e as Secretarias Municipais de Cultura ou Conselhos Municipais do Patrimônio e, por fim, ao Ministério Público caso os primeiros não zelem pelo bem patrimonial.

No entanto, a maior responsável pelo patrimônio cultural é a sociedade, pois é ela a responsável pela criação do mesmo ao longo de sua história.

Diante desta constatação, todos deveriam preocupar-se com a importância de difundir entre os habitantes do município o cuidado, o zelo, a conservação dos bens matérias ou imateriais que têm uma marca histórica para os munícipes.

Marina Amanda Barth
Historiadora e Arqueóloga
Assistente de Pesquisa Arqueológicas Cepa/Unisc
Mestre em História – Unisinos

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Importância do historiador e do arqueólogo https://celestedummer.com.br/importancia-do-historiador-e-do-arqueologo/ Sun, 04 May 2014 02:58:02 +0000 http://celestedummer.com.br/web/?p=441   O historiador é o profissional que estuda o homem em seus diversos momentos históricos desde o período pré-colonial até o contemporâneo. Como ferramentas de estudo...

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  O historiador é o profissional que estuda o homem em seus diversos momentos históricos desde o período pré-colonial até o contemporâneo. Como ferramentas de estudo faz uso de fontes históricas, as quais podem ser escritas (documentos, fotos, mapas), orais (relatos de quem acompanhou fato histórico) ou em forma de objetos deixados pelo homem.  No decorrer de sua vida acadêmica, o historiador desenvolve técnicas de estudo de fontes históricas, onde aprende a indagar as fontes de pesquisa:  por quem, quando e onde foram produzidas. Essas informações estão diretamente ligadas no ato da elaboração do documento da pesquisa. O olhar crítico sobre o documento e o contexto historiográfico são de suma importância para o historiador relatar o momento histórico estudado por ele. Esta crítica à fonte é uma das diferenças entre o historiador fruto da academia e o amador.

Como mencionado, o historiador – por diversas vezes – possui como fonte os objetos deixados pelo homem. Neste caso, o arqueólogo é o profissional que atua na localização, identificação e interpretação das fontes materiais. As duas ciências – interdisciplinarmente – procuram a resposta para o tema estudado. Quando as fontes escritas são raras, a arqueologia auxilia os historiadores na solução dos problemas propostos pela pesquisa. As fontes escritas produzidas por alguém, com interesse próprio ou coletivo em determinada época, devem ser indagadas. Já os restos, vestígios deixados pelo homem comprovam quando, como e onde habitava.

Para refletirmos, menciono um exemplo que remete a importância das pesquisas históricas e arqueológicas efetuadas em Vera Cruz e Vale do Rio Pardo – pelo Museu Colégio Mauá e CEPA/UNISC – desde a década de 1966 até o ano de 2008.

Neste percurso de importantes e intensas pesquisas desenvolvidas pelo Museu Mauá foi localizada a redução Jesus Maria no Município de Candelária.  Esta redução da primeira fase jesuítica, fundada pelo padre jesuíta Pedro Mola, em novembro de 1633, e destruída pelo bandeirante paulista Raposo Tavares em 1636.

O mesmo sitio arqueológico foi tema de dissertação de mestrado de Pedro Augusto Mentz Ribeiro, fundador do Centro de Ensino e Pesquisas Arqueológicas da Universidade de Santa Cruz do Sul. O pesquisador estudou com afinco os vestígios, recebendo aprovação da banca examinadora da PUC/RS.

Estas pesquisas históricas e arqueológicas disponibilizaram para o meio acadêmico e comunidade duas publicações científicas e artigos no jornal Gazeta do Sul na época.

Nos últimos anos, vem sendo efetuados passeios ciclísticos, cavalgadas e atos litúrgicos em Linha Tapera, interior de Vera Cruz, enfatizando que nesta localidade estaria localizada a sepultura do Pe Jesuita Cristóvão de Mendonza y Orellana e a redução Jesus Maria.  Atualmente, as pesquisas realizadas pelo Mauá e CEPA ganham novamente importância para a comunidade vera-cruzense.  Pois são elas que garantem a presença de sítios arqueológicos tupiguarani na região e a comprovação da redução Jesus Maria em Candelária. Sendo equivocada a criação de Parque Cultura Histórico e Ecológico na localidade de Linha Tapera por motivos históricos.

Vale lembrar que o discurso sem provas de fontes históricas, prática e experiência na área da ciência histórica ou arqueológica são inconsistentes.

Fica aqui um exemplo que o passado faz parte do nosso presente e que a academia através de seus profissionais repercute na sociedade. A influência dessas ciências esáa presente em cada momento de nossas vidas, pois fizemos história e deixamos os registros em todos os espaços por onde passamos. Nossas marcas permanecem!

As pesquisas acadêmicas influenciam na vida da sociedade? A quem devemos dar importância a ciência ou a apologia?  Estas indagações fazem sentido neste momento

Marina Amanda Barth
Historiadora e Arqueóloga
Assistente de Pesquisa Arqueológicas Cepa/Unisc
Mestre em História – Unisinos

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55 anos https://celestedummer.com.br/55-anos-2/ Sun, 04 May 2014 02:55:55 +0000 http://celestedummer.com.br/web/?p=439 O Município este ano festeja 55 anos. Tradicionalmente, a gincana inicia as comemorações.  Uma vasta e merecida programação é elaborada para os vera-cruzenses comemorarem os...

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O Município este ano festeja 55 anos. Tradicionalmente, a gincana inicia as comemorações.  Uma vasta e merecida programação é elaborada para os vera-cruzenses comemorarem os 55 anos de emancipação política e administrativa. 7 de junho é de festa.

Ao compararmos os 55 anos de Vera Cruz com   Santa Cruz do Sul (município mãe) de 1877 e com Rio Pardo (município avó) de 1809 e seus mais de 200 anos de história de criação, o aniversariante   é considerado jovem.

Vera Cruz, no entanto, tem a sua história. Os primeiros ocupantes – antes da era cristã – se fizeram presentes nestes confins vagueando em busca de alimento através da caça, pesca e coleta. Por volta do início da era cristã chegam os guaranis que introduzem as primeiras roças neste “solo rico e fecundo,” possibilitando o alimento para suas aldeias. Os jesuítas passaram por esta “terra abençoada” para catequizar os aborígines. Da história pré-colonial ainda restam vestígios em sítios arqueológicos ocupados por indígenas no passado e preservados como patrimônio arqueológico conforme previsto na legislação brasileira

Em seguida vieram os portugueses e a divisão das sesmarias contempla Dona Josefa Maria Branca Guedes Pinto – ao norte do atual Município (viúva duas vezes) – recebe a Fazenda. Ao sul – divisa com o Município de Rio Pardo –  Pedro Inácio Borges recebe o seu latifúndio, em 1788, da Rainha Maria I, mãe de D. João VI. Com os lusos vieram os escravos.

Já em meados do século XIX foi realizada a demarcação dos lotes coloniais para a vinda dos imigrantes alemães. Para estes, os negros também prestavam serviço, como “escravos de ganho”, pois sua mão de obra era alugada do seu dono de descendência portuguesa. De toda esta miscigenação cultural surge o povo que habita esta região.  Referenciamos o tradicionalismo gaúcho, cultivamos a “Revolução Farroupilha”.     Destacamos a nossa origem germânica   no verso do Hino – “na terra do bravo imigrante” – e através das atividades culturais realizadas tradicionalmente nos encontros de sociedades e cavalheiros, nas danças, culinária, no cultivo das lavouras, entre outras.

A história da formação do Município de Vera Cruz foi alvo de pesquisas e publicada em duas obras. O livro “20 anos de Vera Cruz” apresenta as colônias de Dona Josefa (1854), Linha Andréas (1853) e Ferraz (1859). O maior contingente populacional se encontra na Linha Vila Teresa (1858) que em 1866 tem suas quadras demarcadas e em 1889 o povoado é elevado à categoria de Freguesia, segundo distrito de Santa Cruz do Sul. A emancipação se concretiza   em 1959.

Livro “Vera Cruz: Tempo, terra e gente” (2009) reúne todas as pesquisas posteriores e dá aos vera-cruzenses uma compreensão e visão da” história que se construiu no tempo por gente disposta a desbravar uma terra promissora”

Os vera-cruzenses possuem uma imensa história por pesquisar, desvendar, contar e escrever.  Valorizamos a nossa cultura e história no discurso e ou nas ações do dia-a-dia? Para escrever a historia    o pesquisador apaixonado pelos fatos do passado e comprometido com a tarefa de publicá-los necessita de fontes históricas e documentos para a pesquisa que comprovem as ações da sociedade em preservar a sua cultura seja ela material ou imaterial.

O Município se esmera na elaboração de um roteiro turístico.  O que quer oferecer de concreto da sua história para o turista ver? Somente as belezas naturais, ou também o estilo arquitetônico germânico das residências? O que teremos para mostrar? Os bens tombados a Igreja Imaculada Conceição, o tumulo do primeiro imigrante   a futura casa de cultura (que desejamos esteja em restauro, depois de muito esforço, no próximo aniversário do Município)?   E os vestígios coloniais, deixados pelos lusos, negros e, principalmente, imigrantes germânicos quem deve preservar? O que ainda resta das primeiras casas de Vila Teresa? As fotos no museu e no arquivo histórico? Será que serão registros deixados somente na memória dos avós das futuras gerações?

Ao  comemorar pouco mais de meio século de emancipação e possuindo   milênios de história cultural deveríamos oferecer as belezas naturais para as próximas  gerações  vera-cruzenses,  receber no futuro – pelo túnel verde que se destaca na entrada da cidade –  muitos turistas  que desejarão ouvir e sentir  a história deste povo ao   visitar o museu,  seus casarios,  comprar artesanato, degustar a culinária local se descontrair com as danças e festas típicas que são registros históricos e culturais dos vera-cruzenses.

Parabéns munícipes vera-cruzenses! Tomara que todos possamos olhar com carinho para o passado, preservar a historia no presente e projetá-la para um futuro com prosperidade. Não esqueçamos as “Raízes de um Povo Feliz.”

Marina Amanda Barth

Historiadora e Arqueóloga

Assistente de Pesquisa Arqueológicas Cepa/Unisc
Mestre em História – Unisinos

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Educação Patrimonial https://celestedummer.com.br/educacao-patrimonial-2/ Sun, 04 May 2014 02:49:40 +0000 http://celestedummer.com.br/web/?p=437 A educação, de forma geral, é entendida pela sociedade como sendo garantia para um futuro melhor de desenvolvimento social e sustentável para o Brasil. São...

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A educação, de forma geral, é entendida pela sociedade como sendo garantia para um futuro melhor de desenvolvimento social e sustentável para o Brasil. São investidos valores significativos no desenvolvimento deste grande projeto disponibilizado às secretarias municipais, ao estado e às universidades.

No discurso popular da região, por vezes, escutamos dizeres como: “nunca é demais investir em educação, isso ninguém nos tira!”, ou ainda “aprender nunca é demais”. Assim, não importa a idade, credo ou nível cultural. Sempre há espaço para novos conhecimentos. A educação patrimonial também pode ser abordada sob este aspecto e receber atenção.

             O homem – ser racional desde a pré-história – se beneficia dos recursos disponíveis na natureza, deixando seus vestígios históricos evidenciados nos sítios arqueológicos de uma região. Com o passar dos anos, a população aumentou, a interferência e convivência do homem com a natureza têm gerado um conflito entre o novo e o velho, o moderno e o antigo, o demolir e o restaurar, o reconstruir e o preservar o patrimônio cultural.

Ao modificar a natureza para sua sobrevivência, o homem constrói, vive em sociedade, produz e adquire conhecimentos. Neste processo é que elabora sua história e deixa os vestígios de sua criação na sociedade desde a pré-história até a contemporaneidade através de pontas de lanças, cerâmicas, casas, moinhos, igrejas, dialetos falados e a língua escrita dos imigrantes ou povos nativos. Registram   sua cultura em cemitérios, documentos, objetos históricos e hábitos culturais como dança, musica, encontros folclóricos ou costumes adquiridos dos primeiros colonizadores. São marcas deixadas por nossos antecedentes e, portanto, são consideradas patrimônio de todos.

Para paralisar ou amenizar os prejuízos e garantir um futuro melhor para as novas gerações é que nos últimos anos escutamos opiniões e são aplicadas muitas atividades de preservação e de conscientização cultural na sociedade em geral, sendo estendidas – devido a sua importância – às empresas multinacionais e nacionais muitas vezes solicitadas a cooperar com a preservação do patrimônio cultural.

Recentemente, são vinculadas na mídia e trabalhadas nos meios acadêmicos as atividades de Educação Patrimonial que visa educar a população para a preservação. Preservação do patrimônio e de sua história, destacando sua importância com objetivo de inseri-la em seu contexto histórico, a fim de valorizar a sua identidade histórica e adquirir recursos e sustentabilidade através do turismo.

Exemplos são as cidades históricas Ouro Preto, Porto Seguro, o Pelourinho, Antonio Prado, Porto Alegre, a rota germânica em nossa região, entre outros. Todas concentram ou apostam seu turismo na região histórica da cidade ou localidade, ou seja, naquilo que traz lembrança e a memória. O velho e o passado que foi restaurado ou está sendo restaurado e recém tombado com aval da sociedade, demonstrando o respeito da comunidade local pelas suas origens, é destacado. Sem a ação educativa patrimonial, porém, muitos destes objetivos não seriam atingidos. A educação patrimonial é necessária e de importância ímpar para as comunidades pois é de direito das mesmas serem esclarecidas quanto ao que é patrimônio e como preservá-lo. As ações de preservação são fundamentais, pois é a sociedade que deve decidir o que deve ou não ser preservado. É a sociedade local que dá vida e dá sentido à preservação de suas origens.

Assim justifica-se e entende-se que a Educação Patrimonial é o primeiro e mais importante passo para a preservação do Patrimônio de uma comunidade. A ação de educar forma cidadãos dispostos a adquirir novos conhecimentos e, reconhecendo sua história, obtêm êxito na preservação de sua memória.

Marina Amanda Barth

Historiadora e Arqueóloga
Assistente de Pesquisa Arqueológicas Cepa/Unisc
Mestre em História – Unisinos

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